REFERÊNCIA HISTÓRICA
A Confraria do Senhor dos Passos, da Cidade de Valongo, foi instituída no Ano de 1710.
Foi seu instituidor João Vieira de Mesquita, homem abastado, natural de Fânzeres.
Este, marido extremamente ciumento, duvidava da fidelidade de sua mulher, e um dia, em que o seu doentio ciúme atingiu o auge, apoderou-se dela e levou-a para uma propriedade que possuía no lugar do Moinho do Ouro, em Valongo.
A viagem foi dramática e penosa, pois o marido desvairado fez sua desditosa mulher, senhora de condição, percorrer a longa distância entre Fânzeres e Valongo, através de montes e vales, descalça e sob os mais humilhantes enxovalhos.
Rodaram os anos, e a verdade desnudou-se: o marido ciumento veio a certificar-se de que havia cometido uma tremenda injustiça, pois sua mulher sempre havia sido esposa exemplar.
Então, torturado pelo remorso, o marido arrependido decidiu, para desagravo do seu erro, instituir uma confraria que recordasse à posteridade os passos dolorosos da sua desventurada mulher.
E assim nasceu a Confraria do Senhor dos Passos, também conhecida pela designação de Confraria dos Santos Passos.
Esta Confraria tem Capela privativa, que fica situada ao lado da Igreja Matriz de Valongo. Nessa Capela está sepultado o seu instituidor. Uma pedra, com uma inscrição, cobre a sua sepultura, aberta no meio do pavimento.
Esta Capela tem um altar com três Santuários com as imagens da Senhora da Soledade, Senhor dos Passos e Senhor "Ecce Homo", respectivamente à esquerda, ao centro e à direita.
Os três Santuários são encimados por um "Calvário" que outrora era composto por sete figuras em tamanho natural. Presentemente nele estão colocadas outras imagens provenientes de "passos", que tendo sido edificados pela piedade dos homens foram depois demolidos pelo camartelo do... progresso.
Graças ao bairrismo do Povo de Valongo e à generosidade de algumas Famílias ilustres da Cidade, entre as quais é dever destacar a Família Alves Saldanha, a Confraria do Senhor dos Passos foi sucessivamente enriquecida com valiosas alfaias, que pela sua riqueza e valor artístico podem, sem qualquer exagero de bairrismo, considerar-se como das melhores, no género, do País.
Entre essas alfaias destacam-se: a túnica do Senhor dos Passos, que é de veludo roxo, bordado a ouro; o vestido e o manto da Senhora da Soledade, que são de finíssima seda, também bordados a ouro; o pálio, feito de gorgorão roxo belamente bordado a ouro e prata.
Este último é uma peça de valor inestimável que, só por si, constitui legítimo orgulho para a Cidade de Valongo. Foi ofertado à Confraria, em 1905, pelo falecido e ilustre Valonguense João Alves Saldanha.
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
S. ÁGUEDA, Virgem e Mártir | 5 de Fevereiro
Nota Histórica
Sofreu o martírio em Catânia (Sicília), provavelmente na perseguição de Décio. O seu culto propagou-se desde a antiguidade por toda a Igreja e o seu nome foi inserido no Cânon Romano.
Missa
ORAÇÃO
Concedei-nos, Senhor os dons da vossa misericórdia, por intercessão de Santa Águeda, que soube agradar-Vos pela consagração da sua virgindade e pela coragem no seu martírio. Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Do sermão de São Metódio da Sicília, bispo,
sobre Santa Águeda
(Analecta Bollandiana 68, 76-78) (Sec. IX)
Dom que nos foi concedido por Deus, fonte mesma da bondade
A comemoração do aniversário da santa mártir juntou-nos a todos neste lugar, como sabeis, para celebrar a luta gloriosa desta mártir antiga e ao mesmo tempo tão próxima que nos parece agora mesmo estar combatendo e vencendo através dos divinos milagres com os quais diariamente é coroada e ornada.
É uma virgem, porque nasceu do Verbo de Deus imortal (que também por mim sofreu a morte na carne) e Filho indiviso de Deus, como diz João, o teólogo: A quantos O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
É uma virgem esta mulher que nos convidou para o sagrado banquete; é a mulher desposada com um único esposo, Cristo, para usar o mesmo simbolismo nupcial de que falava o apóstolo Paulo.
É uma virgem que pintava e enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência e a cor do sangue do verdadeiro e divino Cordeiro; e pela meditação contínua trazia sempre em si a morte d’Aquele que tanto a amava.
Deste modo, a mística veste da sua confissão é um testemunho que fala por si mesmo a todas as gerações futuras, porque leva em si a marca indelével do Sangue de Cristo e o tesouro inexaurível da sua eloquência virginal.
Ela é uma imagem autêntica da bondade, porque sendo de Deus, vem da parte do seu Esposo a tornar-nos participantes daqueles bens de que o seu nome leva o valor e o sentido: Águeda [quer dizer «boa»] é um dom que nos foi concedido por Deus, a própria fonte da bondade.
Qual é a causa suprema de toda a bondade senão Aquele que é o sumo bem? Por isso, quem encontrará qualquer coisa que mereça, como Águeda, os nossos elogios e louvores?
Águeda, cuja bondade corresponde tão bem ao nome e à realidade; Águeda, que pela sua magnífica gesta leva consigo um nome glorioso, e no próprio nome mostra a gesta gloriosa que realizou; Águeda, que com o nome nos atrai, a fim de que todos venham ao seu encontro, e com o exemplo nos ensina, a fim de que todos se encaminhem sem demora para o verdadeiro bem, que é Deus somente.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
S. BRÁS, Bispo e Mártir | 3 de Fevereiro
Nota Histórica
Foi bispo de Sebaste (Arménia) no século IV. Na Idade Média o seu culto propagou-se por toda a Igreja.
Missa
ORAÇÃO
Escutai, Senhor, o vosso povo suplicante e, pela intercessão do mártir São Brás, concedei-nos a paz na vida presente e a felicidade na vida eterna. Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão Guelferbitano 32, De ordinatione episcopi:
PLS 2, 639-640) (Sec. V)
Sacrifica-te pelas minhas ovelhas
O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos. Eis como o Senhor Se fez servo, eis como nos ensinou a servir. Deu a vida pela redenção de muitos: redimiu-nos.
Qual de nós pode redimir alguém? Foi pelo seu sangue que fomos redimidos, foi pela sua morte que fomos resgatados da morte; estávamos caídos, e pela sua humildade fomos levantados da nossa prostração. Mas também nós devemos contribuir com a nossa pequena parte para ajudar os seus membros, porque nos tornámos membros d’Ele: Ele é a cabeça, nós o corpo.
Também o apóstolo João nos exorta na sua carta a que sigamos o exemplo do Senhor, que disse: Aquele que quiser ser grande no meio de vós será vosso servo, do mesmo modo que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos; por isso o Apóstolo nos exorta a imitar o seu exemplo, com estas palavras: Cristo deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.
O próprio Senhor, falando depois da ressurreição, perguntou: Pedro, amas-Me? Ele respondeu: Amo-Te. Por três vezes o Senhor lhe fez a pergunta, três vezes ele Lhe respondeu; e todas três o Senhor disse: Apascenta as minhas ovelhas.
Como podes mostrar que Me amas, senão apascentando as minhas ovelhas? Que é que Me podes dar com o teu amor, se tudo recebes de Mim? Se Me amas, o que hás-de fazer é isto: Apascenta as minhas ovelhas.
Uma, duas e três vezes: Amas-me? Amo. Apascenta as minhas ovelhas. Três vezes O negara por medo; três vezes O confessou por amor.
E depois, tendo recomendado pela terceira vez as suas ovelhas a Pedro, que respondia confessando o seu amor e ao mesmo tempo dominava e repudiava o medo antigo, o Senhor acrescentou em seguida: Quando eras novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores velho, outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse estas palavras para indicar com que morte havia de glorificar a Deus. Anunciou a Pedro a sua cruz, predisse-lhe a sua paixão.
E a terminar, o Senhor disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas, isto é, sacrifica-te pelas minhas ovelhas.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Apresentação do Senhor - Nª SRª das Candeias | 2 de Fevereiro
Celebramos Hoje, a Festa da Apresentação do Senhor, sendo celebrada quarenta dias após o Natal, recorda-se também a Purificação de Nossa Senhora, denominnada também por Nª SRª das Candeias.Quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés (Ex. 13, 11-13), Maria leva o Menino ao templo, a fim de ser oferecido ao Senhor. Toda a oferta implica uma renúncia. Por isso, a Apresentação do Senhor não é um mistério gozoso, mas doloroso. Começa, nesse dia, o mistério de sofrimento, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário, quando Jesus, que não foi «poupado» pelo Pai, oferecer o Seu Sangue como sinal da nova e definitiva Aliança. Ao oferecer Jesus, Maria oferece-Se também com Ele. Durante toda a vida de Jesus, estará sempre ao lado do Filho, dando a Sua colaboração para a obra da Redenção.
O gesto de Maria, que «oferece», traduz-se em gesto litúrgico, quando ao celebrarmos a Eucaristia, oferecemos «os frutos da terra e do trabalho do homem», símbolo da nossa vida.
Antes da Missa, está prevista no Missal a procissão das velas, acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações, e ao encontro de quem a Igreja caminha guiada já por essa mesma luz.
Deus eterno e omnipotente, humildemente Vos suplicamos que, assim como o vosso Filho Unigénito foi neste dia apresentado no templo, revestido da natureza humana, assim também, de alma purificada, nos apresentemos diante de Vós.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
«Os meus olhos viram a vossa salvação»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
«Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele.
O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando:
«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados
com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro.
Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.
Palavra da salvação.
Imagem de Nª SRª da Purificação - Altar da Imaculada Conceição - Igreja Matriz de ValongoSenhor, que na vossa bondade quisestes que o vosso Filho Unigénito Se oferecesse a Vós como Cordeiro sem mancha pela vida do mundo, fazei que Vos seja agradável a oblação da vossa Igreja em festa.
Por Nosso Senhor.
ANTÍFONA DA COMUNHÃO Lc 2, 30-31
Os meus olhos viram a salvação
que oferecestes a todos os povos.
ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Deus de bondade, que respondestes à esperança do santo Simeão,
confirmai em nós a obra da vossa graça: assim como lhe destes a alegria de receber em seus braços, antes de morrer, a Cristo vosso Filho, concedei que também nós, fortalecidos por estes sacramentos, caminhemos ao encontro do Senhor e alcancemos a vida eterna.
Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Dos Sermões de São Sofrónio, bispo
(Orat. 3 de Hypapante, 6-7: PG 87, 3, 3291-3293) (Sec. VII)
Recebamos a luz clara e eterna
Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do Encontro do Senhor, corramos para Ele com todo o fervor do nosso espírito. Ninguém deixe de participar neste Encontro, ninguém se recuse a levar a sua luz.
Levemos em nossas mãos o brilho das velas, para significar o esplendor divino d’Aquele que Se aproxima e ilumina todas as coisas, dissipando as trevas do mal com a sua luz eterna, e também para manifestar o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro de Cristo.
Assim como a Virgem Mãe de Deus levou ao colo a luz verdadeira e a comunicou àqueles que jaziam nas trevas, assim também nós, iluminados pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, devemos acorrer pressurosos ao encontro d’Aquele que é a verdadeira luz.
Na verdade a luz veio ao mundo e, dispersando as trevas que o envolviam, encheu-o de esplendor; visitou-nos do alto o Sol nascente e derramou a sua luz sobre os que se encontravam nas trevas: este é o significado do mistério que hoje celebramos. Caminhemos empunhando as lâmpadas, acorramos trazendo as luzes, não só para indicar que a luz refulge já em nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos há-de vir. Por isso, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus.
Eis que veio a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Todos nós, portanto, irmãos, deixemo-nos iluminar, para que brilhe em nós esta luz verdadeira.
Nenhum fique excluído deste esplendor, nenhum persista em continuar imerso na noite, mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos juntos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara é eterna; associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de acção de graças ao Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.
A salvação de Deus, com efeito, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence a nós, que somos o novo Israel; e nós próprios, graças a Ele, vimos essa salvação e fomos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa, tal como Simeão, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.
Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que vem de Belém, nos convertemos de pagãos em povo de Deus (Jesus é com efeito a Salvação de Deus Pai) e vemos com os nossos próprios olhos Deus feito carne; e porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, nos chamamos novo Israel. Com esta festa celebramos cada ano de novo essa presença, que nunca esquecemos.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Visita Pastoral de D. Manuel Clemente a Valongo
(Clicar imagem abaixo)
Câmara Municipal atribuiu Medalha de Honra ao Bispo do Porto
sábado, 22 de janeiro de 2011
S. VICENTE, diácono e mártir | 22 de Janeiro
Vicente, diácono da Igreja de Saragoça, morreu mártir em Valência (Espanha) durante a perseguição de Diocleciano, depois de sofrer cruéis tormentos. O seu culto logo se propagou por toda a Igreja.
Missa
ORAÇÃO
Deus eterno e omnipotente, infundi em nós o vosso Espírito, para que os nossos corações sejam fortalecidos por aquele amor que ajudou São Vicente a suportar o martírio. Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 276.1-2: PL 38, 1256) (Sec. V)
Vicente venceu onde o mundo foi vencido
A vós foi concedida a graça, não só de acreditardes em Cristo, mas também de sofrerdes por Ele.
Um e outro dom recebera o levita Vicente; recebera-os e guardara-os. Se os não tivesse recebido, como os guardaria? Tinha confiança na palavra, tinha coragem no sofrimento.
Ninguém se envaideça da sua força interior, quando fala; ninguém confie nas suas forças, quando sofre a tentação; porque, se falamos bem e com prudência, é d’Ele que vem a nossa sabedoria; e se suportamos os males com coragem, é d’Ele que vem a nossa força.
Recordai-vos de Cristo Senhor no Evangelho, exortando os seus; recordai-vos do Rei dos mártires, instruindo nas armas espirituais os seus exércitos, exortando-os para a guerra, fornecendo-lhes auxílio, prometendo a recompensa. Ele, que disse aos seus discípulos: Neste mundo haveis de sofrer, logo os consolou, ao vê-los assustados: Não temais; Eu venci o mundo.
Como nos admiraremos então, caríssimos, que Vicente tenha vencido n’Aquele que venceu o mundo? Neste mundo haveis de sofrer, diz o Senhor: o mundo persegue, mas não triunfa; ataca, mas não vence. O mundo conduz uma dupla batalha contra os soldados de Cristo: lisonjeia-os para os enganar, aterroriza-os para os quebrar. Não nos preocupe o nosso bem-estar, não nos assuste a crueldade alheia, e vencido está o mundo.
A ambas as brechas acorre Cristo, e o cristão não é vencido. Se neste martírio se considera a capacidade humana de o suportar, o facto torna-se incompreensível; mas se se reconhece o poder divino, nada tem de espantoso.
Era tanta a crueldade que afligia o corpo do mártir e tanta a tranquilidade que transparecia na sua voz, era tanta a dureza com que eram maltratados os seus membros e tão grande a segurança que ressoava nas suas palavras, que poderia parecer que, de algum modo maravilhoso, enquanto Vicente suportava o martírio, fosse torturada uma pessoa diferente da que falava.
E era realmente assim, irmãos, era mesmo assim: era outro que falava. Também isto o prometeu Cristo, no Evangelho, às suas testemunhas, quando as preparava para o combate. Na verdade, assim falou: Não vos preocupeis com o que haveis de dizer. Não sois vós que falais, mas o Espírito do vosso Pai que fala em vós.
Portanto, a carne era torturada e o Espírito falava: e enquanto o Espírito falava, não só era vencida a impiedade, mas também era confortada a fraqueza.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
S. SEBASTIÃO, mártir | 20 de Janeiro
Nota HistóricaFoi martirizado em Roma no começo da perseguição de Diocleciano. O seu sepulcro, na Via Ápia «ad Catacumbas», foi venerado pelos fiéis desde a mais remota antiguidade.
Missa
ORAÇÃO
Concedei-nos, Senhor, o espírito de fortaleza, para que, a exemplo do vosso mártir São Sebastião, aprendamos a obedecer antes a Vós que aos homens. Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Da Exposição de Santo Ambrósio, bispo, sobre o Salmo 118
(Cap. 20, 43-45.48: CSEL 62, 466-468) (Sec. IV)
Testemunha fiel de Cristo
É necessário passar por muitas tribulações para entrar no reino de Deus. A muitas perseguições correspondem muitas provações: onde há muitas coroas de vitória tem de ter havido muitos combates. É bom para ti que haja muitos perseguidores, pois entre tantas perseguições mais facilmente encontrarás o modo de ser coroado.
Consideremos o exemplo do mártir Sebastião, que hoje celebramos.
Nasceu em Milão. Talvez o perseguidor já se tivesse afastado, ou talvez ainda não tivesse vindo a este lugar, ou seria mais condescendente. De qualquer modo, Sebastião compreendeu que aqui, ou não haveria luta, ou ela seria insignificante.
Partiu para Roma, onde grassavam severas perseguições por causa da fé; aí foi martirizado, isto é, aí foi coroado. Deste modo, ali onde tinha chegado como hóspede, encontrou a morada da imortalidade eterna. Se não houvesse mais que um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado.
Mas o pior é que os perseguidores não são só aqueles que se vêem: há também os que não se vêem, e estes são muito mais numerosos.
Assim como um único rei perseguidor emitia muitos decretos de perseguição, e desse modo havia diversos perseguidores em cada uma das cidades ou das províncias, também o diabo envia muitos servos seus a mover perseguições, não apenas no exterior, mas dentro da alma de cada um.
Destas perseguições foi dito: Todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus sofrem perseguição. E disse ‘todos’, não excluiu nenhum. Quem poderia na verdade ser exceptuado, quando o próprio Senhor suportou os tormentos das perseguições?
Quantos há que, em segredo, todos os dias são mártires de Cristo e dão testemunho do Senhor Jesus! Conheceu esse martírio aquele apóstolo e testemunha fiel de Cristo, que disse: Esta é a nossa glória e o testemunho da nossa consciência.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Santo ANTÃO, Abade | 17 de Janeiro
Este insigne pai do monaquismo nasceu no Egipto cerca do ano 250. Depois da morte de seus pais, distribuiu os seus haveres pelos pobres e retirou-se para o deserto, onde começou a sua vida de penitente. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, animando os confessores na perseguição de Diocleciano e apoiando S. Atanásio na luta contra os arianos. Morreu no ano 356.
Missa
ANTÍFONA DE ENTRADA Salmo 91, 13-14
O justo florescerá como a palmeira,
crescerá como o cedro do Líbano:
plantado na casa do Senhor,
florescerá nos átrios do nosso Deus.
ORAÇÃO COLECTA
Senhor nosso Deus, que destes a Santo Antão a graça de viver uma vida heróica na solidão do deserto, concedei-nos, por sua intercessão, que, renunciando a nós mesmos, Vos amemos sempre sobre todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Aceitai, Senhor, os dons que colocamos sobre o vosso altar
na festa de Santo Antão e fazei que, libertos das coisas da
terra, encontremos em Vós a nossa única riqueza. Por Nosso Senhor.
ANTÍFONA DA COMUNHÃO Mt 19, 21
Se queres ser perfeito, diz o Senhor,
vai vender tudo o que tens, dá aos pobres e segue-Me.
ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, que destes a Santo Antão a vitória sobre o poder das trevas, fazei que também nós, fortalecidos com este sacramento de salvação, possamos vencer todas as ciladas do inimigo. Por Nosso Senhor.
Liturgia das horas
Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo
(Cap. 2-4: PG, 26, 842-846) (Sec. IV)
A vocação de Santo Antão
Depois da morte de seus pais, tendo ficado com uma irmã ainda pequena, Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã.
Não tinham passado ainda seis meses do falecimento de seus pais, quando um dia em que se dirigia, segundo o seu costume, para a igreja, ia reflectindo sobre a razão que levara os Apóstolos a abandonar tudo para seguir o Salvador e por que motivo também aqueles homens de que se fala nos Actos dos Apóstolos vendiam tudo o que possuíam e depunham o preço aos pés dos Apóstolos para que o distribuíssem aos pobres; e ia pensando na grande e maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos Céus. Meditando nestas coisas, entrou na igreja mesmo no momento em que se lia o Evangelho e ouviu o que o Senhor disse ao jovem rico: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro nos Céus.
Então, considerando que a recordação dos santos exemplos lhe tinha sido enviada por Deus e que aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele, logo que voltou da Igreja, Antão distribuiu pelos habitantes da região as propriedades que herdara da família (possuía trezentos campos muito férteis e amenos), para que aquelas não fossem motivo de inquietação para si e para a sua irmã. Vendeu também todos os móveis e distribuiu pelos pobres a grande quantia que assim obtivera, conservando apenas uma pequena parte por causa da irmã.
Tendo entrado outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no Evangelho: Não vos inquieteis com o dia de amanhã. Não conseguiu permanecer ali mais tempo. Saiu, e até aquele pouco que guardara distribuiu pelos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Pártenon. Quanto a ele, livre já de cuidados alheios, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação nas imediações da sua casa.
Trabalhava com as suas mãos, pois ouvira a palavra da Escritura: Quem não quiser trabalhar não coma. Do fruto do seu trabalho destinava uma parte para comprar o pão que comia; o resto distribuía-o pelos pobres.
Rezava constantemente, pois aprendera que é preciso rezar interiormente sem cessar; era tão atento à leitura que nada lhe esquecia do que tinha lido na Escritura: tudo retinha de tal maneira que a sua memória acabou por substituir o livro.
Todos os habitantes do lugar e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um homem assim, chamavam-lhe amigo de Deus; e uns amavam-no como filho, outros como irmão.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Beato Gonçalo de Amarante, Presbítero | 10 de Janeiro
Nasceu em Tagilde (Guimarães), de pais nobres e piedosos, cerca do ano 1200. Passou a adolescência como aluno na escola arquiepiscopal de Braga e, ordenado sacerdote, foi pároco de S. Paio de Vizela. Durante catorze anos peregrinou na Terra Santa e em Roma e, depois do regresso à pátria, entregou-se à vida eremítica. Mais tarde entrou na Ordem dos Pregadores e exerceu o ministério da pregação com grande fruto das almas. Morreu cerca do ano 1260.
Tornou-se o santo patrono da cidade de Amarante, onde faleceu, e ainda das cidades de São Gonçalo do Amarante nos estados brasileiros do Rio Grande do Norte e do Ceará (nessas cidades homónimas também o padroeiro permaneceu idêntico).
É, no entanto, importante salientar que Gonçalo de Amarante, apesar de chamado "Santo" pelo povo, na verdade, é apenas "Beato", porque o processo de Canonização nunca foi levado a bom termo, ao contrário da sua Beatificação. Deste modo, a forma correcta de o denominar é "Beato Gonçalo de Amarante", o que é atestado pelos calendários litúrgicos portugueses.
Missa
ORAÇÃO
Senhor, que manifestastes as vossas maravilhas no coração do bem-aventurado Gonçalo de Amarante, inflamado no amor do vosso nome, concedei-nos que, à sua imitação, tenhamos sempre o pensamento em Vós e façamos fervorosamente o que Vos é agradável. Por Nosso Senhor.
Imagem de S. Gonçalo, que se Venera na Capela de Nª SRª Da Hora em ValongoDo Decreto Presbyterorum Ordinis, do Concílio do Vaticano II, sobre o ministério e a vida dos sacerdotes
(N. 13) (Sec. XX)
O exercício do ministério sacerdotal, fonte de santidade
Os sacerdotes atingirão a santidade da maneira que lhes é própria, se exercerem as suas funções sincera e infatigavelmente no espírito de Cristo.
Sendo eles os ministros da palavra de Deus, todos os dias lêem e ouvem essa mesma palavra de Deus que devem ensinar aos outros; e se ao mesmo tempo se esforçam para a receberem em si mesmos, cada vez se tornarão mais perfeitos discípulos do Senhor, segundo a palavra do apóstolo São Paulo a Timóteo: Medita estas coisas, permanece nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado contigo e com o teu ensino. Sê preseverante em tudo isso. Se assim procederes, salvar-te-ás a ti mesmo e àqueles que te ouvem. Porque, investigando como melhor poderão dar aos outros aquilo que meditaram, mais profundamente saborearão as insondáveis riquezas de Cristo e a multiforme sabedoria de Deus.
Tendo presente que é o Senhor quem abre os corações e que a excelência do seu poder não vem deles mas de Deus, no próprio acto de ensinar a palavra de Deus unir-se-ão mais intimamente com Cristo mestre e se deixarão conduzir pelo seu Espírito. Assim unidos a Cristo, participam da caridade de Deus, cujo mistério, escondido desde os tempos antigos, foi revelado em Cristo.
No mistério do sacrifício eucarístico, em que os sacerdotes cumprem o seu principal ministério, realiza-se continuamente a obra da nossa redenção. Enquanto os sacerdotes se unem com a acção de Cristo sacerdote, oferecem-se todos os dias totalmente a Deus e, alimentando-se do Corpo do Senhor, participam de coração na caridade d’Aquele que Se dá como alimento aos fiéis. De modo semelhante, na administração dos sacramentos, unem-se com a intenção e a caridade de Cristo.
Ao governar e apascentar o povo de Deus, sentem-se movidos pela caridade do Bom Pastor a dar a vida pelas ovelhas, prontos também para o supremo sacrifício, a exemplo daqueles sacerdotes que ainda em nossos dias não recusaram sacrificar a própria vida.
Como educadores da fé e tendo eles mesmos a firme esperança de entrar no santuário pelo Sangue de Cristo, aproximam-se de Deus com o coração sincero, na plenitude da fé; cultivam a esperança firme quanto aos seus fiéis, a fim de poderem consolar aqueles que se encontram na angústia, por meio daquela exortação com que eles são exortados por Deus.
Como chefes da comunidade, cultivam a ascese própria dos pastores das almas, renunciando aos próprios interesses, buscando não a sua utilidade particular mas a de todos, para que se salvem, progredindo sempre e cada vez mais no desempenho do seu múnus pastoral.



